terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A morte natural dos amores

Desde o nosso fim que não temos mais contato. Nunca mais te vi. Nem uma foto sequer.  Estou esquecendo você. Quando me lembro, não consigo mais ver o seu semblante. Não lembro mais dos seus traços, das suas expressões. É como se eu te imaginasse em meio a uma cortina de fumaça. Estou me esquecendo de como era sua voz.  Há muito tempo ela não ecoa na minha cabeça.
Engraçado porque quando te observava, muitas vezes durante seu sono, eu fazia questão de registrar cada detalhe do seu rosto e corpo, guardando cada pinta sequer para quando eu ficasse longe de você, eu pudesse te ter no meu pensamento e assim sentir menos saudade. Achava que eu tinha uma boa memória fotográfica, mas, me enganei.  O tempo é implacável, e ele voa. Com ele tem ido a sua imagem. Juro que me controlei até para não esquecer. Mas na coleção de dias bons que vieram depois, você se perdeu.

Por causa disso, ás lembranças vem morrendo a cada dia. Os momentos estão ficando difíceis de serem resgatados, assim como os sonhos que sabemos que sonhamos, mas, não conseguimos lembrar com detalhes pra contar para alguém. Vou deixando eles se apagarem pouco a pouco.  

Os sentimentos no meio disso tudo adoeceram por falta de cuidado. Ainda estão aqui, mas sei que vão perdendo as forças até não incomodar mais como uma pedrinha no sapato que quando sai nos dá um alívio. Eles só ficam ali, no cantinho do coração dormindo sem energia para fazer nada.  Eu já vi isso acontecer antes, sei o final. Assim acontece a morte natural dos amores. Mesmo sendo orgânico, dói saber que o processo começou. Mesmo sabendo que é necessário, dá dó (essa nossa mania de ser apegado até ao que é ruim, vai entender).  O bom disso tudo é saber que tudo que morre dá lugar pra algo novo nascer. E o novo é sempre melhor já dizia meu personagem preferido ever, Barney Stinson. Sempre haverá uma nova história, uma nova sensação. Outro sorriso que prende a atenção e um novo rosto para guardar na lembrança. E já que citei how i met your mother (como sempre), lá vai um ensinamento que cai bem pra fechar esse texto com chave de ouro: "Pela primeira vez em anos, o mundo estava aberto. Porque, crianças, quando uma porta se fecha... Bem, vocês sabem o resto.” 

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"Dad is home!"



                                                                           Camila Ribeiro

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Reciprocidade é uma dádiva

Assim como a empatia, a reciprocidade é essencial dentro de qualquer relação. Empatia é se colocar no lugar do outro tentando compreender seus sentimentos e emoções. Reciprocidade é dar e receber. É ter a capacidade de demonstrar e retribuir um sentimento não apenas com palavras, mas com ações. Mas diferente da empatia que é uma escolha, a reciprocidade não se controla, não se mede, não se cobra. Ou tem ou não tem.

Existem dois lados da moeda: Quando você é a pessoa que gostaria de corresponder o sentimento de alguém mas não consegue e se sente mal por isso ou quando você faz tudo por uma pessoa mas não se sente correspondida. Por mais que reciprocidade não se controle, queremos tanto cobra-la. Cobrar de alguém sentimentos como o amor e reciprocidade é querer fazer de algo tão natural e orgânico uma obrigação, algo forçado, uma atitude mecânica. Perde a graça, pois só o que é sincero nos preenche. Só o que é de coração nos comove.  

Ninguém é obrigado a corresponder suas expectativas. Reciprocidade é uma dádiva e o que é reciproco se conta nos dedos.

Ser correspondido é uma felicidade sem fim. Mas se não for, paciência. Aceite. O mundo é dos volúveis e amor carrega o peso da intensidade e da eternidade. Amor é loteria. 

Pratique um egoísmo saudável, não permaneça onde não exista reciprocidade. Deixe ir, pois se você sente mais você merece mais. Merece alguém que sinta o mesmo por você naturalmente e tenha o seu coração. Aprenda: Amor não é obrigação. Reciprocidade não se impõem.

Não, ele não te quer. Desencana. Não precisa esquecer tudo que vocês viveram juntos, mas se permita viver coisas novas com outras pessoas. Foi o recado que ele deixou no momento em que decidiu não te incluir mais nos planos dele. E, de verdade, quem vai dizer que não era um direito dele fazer isso? As pessoas, até onde eu sei, são livres. Essa é a graça da coisa. Tem gente que pode voar pra bem longe, mas resolve pousar e ficar pertinho. Tem quem reúna tudo aquilo que sempre se sonhou para fazer:



Camila Porto Ribeiro